High Fidelity (Alta Fidelidade) – Série HULU

  • Eu reli recentemente High Fidelity (Alta Fidelidade), livro do escritor inglês Nick Hornby, tenho uma cópia surrada da Penguin, cujas páginas, hoje amarelas, já viram melhores dias. Mas o conteúdo continua ali, o protagonista é um dono de uma loja de discos que está passando por um término de relacionamento tumultuado e lida com isso da única maneira que ele sabe, fazendo listas de músicas, reorganizado sua coleção de discos, buscando a resposta em amores do passado e fazendo algumas (tremendas) cagadas pelo caminho.

  • Sempre tive uma certa obsessão com esse livro, sua história e suas diversas adaptações ao longo dos anos. O Livro já foi adaptado para o cinema no ano 2000, em versão americanizada, com John Cussack no papel principal e Chicago como pano de fundo, substituindo a Londres do livro original. O romance também ganhou uma adaptação para o teatro, numa versão tupiniquim, sob o título de “A vida é Cheia de Som e Fúria”, com direção do Felipe Hirsch e ficou em cartaz por anos no eixo Rio-São Paulo.

  • Quando eu soube que fariam uma nova série de TV, 25 anos depois da publicação do livro, eu fiquei super animado para assistir. Eis que a série estreou em fevereiro desse ano, no dia de São Valentim pra ser mais exato. Produção original da Hulu, serviço de streaming que ainda não tem presença em território nacional, e se vc está passando a quarentena aqui no Brasil, assim como eu, em primeiro lugar: FORÇA. Em segundo lugar: existem outros meios de assistir: pois se a classe trabalhadora tudo produz, a ela tudo pertence. Bom chega de lero-lero (adoro essa expressão), vamos falar sobre High Fidelity. A primeira grande mudança, é que Rob (no livro Fleming, no Filme Gordon) agora é Brooks, uma mulher negra interpretada pela talentosa Zooey Kravitz. A mudança não é só de gênero, raça e sobrenome, a nova série atualiza algumas incongruências de uma obra originalmente publicada no meio dos anos 90. Mas não se engane, Rob continua uma bagunça emocional ambulante.

Continuando com as mudanças, Dick, que no livro (e no filme) é um dos 2 vendedores da loja de discos de Rob, um cara super tímido, porém com conhecimento musical absurdo, agora é Simon, homessexual assumido, melhor amigo e ex-peguete (sim, pq não?) de Rob, menos tímido, mas continua com seu conhecimento musical encilopédico e até ganha um episódio só dele (um dos melhores da série diga-se de passagem). Já Barry, imortalizado no cinema pelo extravagante Jack Black, agora é Cherise, uma mulher negra, igualmente extravagante, interpretada por Da’vine Joy Randolph (uma grata surpresa).


Acho que o que eu sempre gostei na história, é a relação intensa das personagens com a música, e isso continua evidente na série, a trilha é sensacional, vai de Bowie a Mutantes, contém algumas referências do filme (The Beta Band, por exemplo) e ainda assim, traz algumas boas surpresas, a parte musical tem curadoria do Questlove do The Roots.


A música sempre foi, senão a protagonista, a coadjuvante principal da história, que de novo mudou de cidade e agora se passa em Nova York. De resto continua igual, Rob é uma personagem difícil, as vezes você sente raiva dela, porém outras vezes nos identificamos 100% com as suas dores. A Zooey Kravitz está perfeita na personagem e trás uma leveza, que mesmo o simpático John Cussack, não conseguiu trazer para o papel. O que faz o telespectador perdoar algumas decisões questionáveis da protagonista. Outra coisa que continua igual são as inúmeras referências de cultura pop nos diálogos, se vc gosta de Gilmore Girls ou já leu alguma coisa do Chuck Klosterman, Malcom Gladwell e obviamente do Nick Hornby, tenho certeza que vc vai gostar

Relacionamentos não são perfeitos como uma música pop, não são uma combinação exata de letra, melodia, cadência e vocais (com auto tune ou não) condensadas numa faixa de 3 minutos, dentro de um compasso de 4×4.


Nós crescemos com essa régua imaginária, medindo um padrão impossível de ser alcançado, adquiridos por horas e horas trancados no quarto ouvindo músicas falando de amor. Nenhum relacionamento vai ser sempre uma música do João Gilberto. Se existe algum gênero que se aproxima mais de um relacionamento, com certeza esse gênero seria o jazz. Com suas inúmeras variáveis, com seus longos solos de improvisação e compassos complexos como 9/8 ou 9/16, quase como se o coração pulasse uma batida, ou acelerasse o pulso por alguns segundos, numa virada de bateria ou numa semi colcheia de um sax bem tocado.


Acho que o que eu quero dizer com tudo isso é que as músicas estão aí para serem ouvidas, são atemporais. E os amores também. Assistam a série, leiam o livro, apaixone-se: por uma pessoa, por um bichinho, por uma história, por um hobby, pelo seu trabalho, não importa.
A paixão e a música (ainda) fazem esse mundo girar.

Música sem sentido, uma viagem e um disco.

O nosso consumo de música mudou nas últimas 2 décadas, com o avanço da tecnologia, a chegada da internet rápida nos anos 2000, o formato MP3, o iPod e seus genéricos (eu tive um zen creative de 6GB), que passado alguns anos virou um iPod nano, esse era portátil e você podia caminhar com ele no bolso. Uma maravilha.

Mas acho que a grande inovação, aconteceu de fato com o nascimento do YouTube. De lá para os serviços de streaming que usamos hoje foi um piscar de olhos.
Tudo isso já foi debatido, como a arte é comercializada, como apoiar os artistas independentes, como a indústria da música vai se sustentar, mas esse não é o objetivo desse post.

Queria falar sobre uma coisa bem particular, acerca de como consumimos música. Não lembro se me deparei com essa discussão num artigo, ou se escutei num podcast, as vezes a memória é falha (me perdoem), mas existe algo muito íntimo no ato de escutar música. Algo que sofreu uma mudança significativa ao longo dos anos.

Sempre que experimentamos uma sensação de prazer, como ouvir música, por exemplo, produzimos em nossos HDs internos uma memória afetiva.

Todos nós que crescemos nos anos 90, começo dos anos 2000, lembramos da sensação de ir numa loja de CDs, podia ser uma lojinha de bairro (que sempre tinha um dono que dava pitaco no que você escolhia), ou numa mega store da vida, com suas centenas de opções de todos os gêneros e para todos os gostos.

O que acontecia na sequência, era mais ou menos o seguinte: você comprava o cd, depois de escolher minuciosamente, olhar a capa, contra capa, checar a lista de músicas, escutar algumas faixas, afinal de contas era uma decisão importante, esse CD iria te acompanhar pelos próximos meses. Feita a escolha, você voltava para sua casa com a ansiedade a mil, segurando a sua nova aquisição, como se fosse a coisa mais preciosa do mundo (e era), chegando em casa, corria para o aparelho de som ou discman (o com sistema antishcok era o mais desejado) e escutava esse novo mundo de sensações a ser explorado.

Podemos dizer que você criava um vínculo com aquele álbum, você lembrava quando comprou ele (ou se ganhou de presente). Você lembrava de analisar o encarte, ficar feliz se ele tinha as letras das músicas (principalmente para artistas que cantavam em inglês), você ficava horas olhando a arte da capa, lia até as descrições em fonte pequena, geralmente na última página do encarte (meu Deus, mais um disco com esse tal de Rick Rubin nos créditos, você pensava).


Hoje em dia continuamos consumindo música e descobrindo novos sons, mas a experiência é sempre a mesma, você descobre um artista sentado em frente ao seu computador, fazendo uma esteira na academia, ou talvez com a ajuda de um algoritmo bem otimizado (o Spotify é realmente danado, não é mesmo?).


Podem me chamar de romântico, ou só de chato mesmo, mas algo se perdeu nessa experiência toda.
A volta do vinil tem um pouco a ver com isso, com a experiência de se ouvir música, com o tátil, com o olfato, com você fisicamente segurar um pedaço de música, um pedaço da história, uma obra de arte. Talvez tenha até um pouco a ver com fetichismo, em algum nível, mas isso é conversa para outra hora.


Hoje eu só queria falar sobre esse disco, uma coletânea do Fats Domino. Um dos pioneiros do Rock N’ Roll, e esse disco, assim como tantos outros, também tem uma história. Comprei ele num flea market (feirinha de rua), em Amsterdã, lembro que eu e minha namorada na época, fomos até tal evento, para experimentar um stroopwafle (famoso doce holandês), e ficamos surpresos de ver uma barraquinha de discos, no meio de tantos outros comerciantes vendendo: antiguidades, roupas, artesanatos e petiscos em geral.


Se você observar na foto, o disco tem três etiquetas, com três preços diferentes marcados: €22,90, €9,50 e €7. Como bom brasileiro, e jovem viajando com a grana curta, tentei barganhar com o vendedor, o valor do disco. Depois de muita insistência finalmente consegui um desconto, paguei exatos 5 euros nele. Dois euros de diferença! Que pechincha, eu pensei! Analisando em retrospecto, no câmbio de hoje, dois euros realmente é uma pequena fortuna.

De qualquer maneira, voltei para o hostel feliz com a minha nova aquisição, e depois de terminada a viagem, atravessei o atlântico junto com o Fats Domino (e mais uma dúzia de outros discos), que hoje eu tirei para escutar, limpar, olhar as capas e apreciar. Tem dias que a vida faz total sentido.

Pitaya

Hoje eu comi uma Pitaia pela primeira vez, o gosto é meio melão, meio kiwi (talvez menos doce) mas como toda nova experiência, me deixou um tanto quanto reflexivo. Comecei a pensar sobre as inúmeras canções que existem sobre frutas. Qual o motivo que leva um compositor a escrever sobre um fruto específico e não sobre outro.

Me interessa essa metalinguagem musical. O morango por exemplo, temos a versão britânica dele, o Strawberry Fields Forever e temos o nosso Morango do Nordeste, que não sei se é para sempre, nem se existe um campo cheio deles, mas rendeu uma versão em forró e outra em pagode. Enfim, podemos dizer que deu pano pra manga.

Manga essa, que aparece Rosa na canção de Alceu Valença, assim como outras diversas frutas: o melão maduro, sapoti, juá, a jabuticaba e o umbu-cajá. Isso sem falar do caju e da cana-caiana, que até hoje eu não sei se é fruta, um legume ou uma raíz, mas lá está ela, imortalizada na canção do Alceu.

Assim como tantos outros artistas cantaram sobre frutas ao longo dos anos: o U2 cantou sobre o limão, a Lana Dele Rey sobre cereja (muita gente já cantou sobre cerejas), o Blur dedicou alguns versos sobre o pêssego, o R.E.M. sobre um crush de laranja e o Jack Johnson, veja só: sobre panquecas de banana. Até o abacaxi foi homenageado no saudoso verso de infância “piuí-piuí-piuí-abacaxi”.


Enquanto eu escrevo essas bobagens, um amigo me disse que o Harry Styles tem uma música chamada kiwi, o que nos leva a questão desse post. Por quê não temos uma música sobre a Pitaia? uma fruta tão bonita, de uma cor tão vermelha por fora, que pode ser usada como adjetivo (aquele vestido vermelho Pitaia) e além da questão estética, ela aparentemente faz um bem danado a saúde: protege as células, ajuda na digestão, regula a pressão arterial e combate a anemia com vitaminas B, C e E (olha só, os acordes já estão até aí, prontos para serem usados).

Agora só falta alguém transformar essa exótica fruta em canção. Para que além do nosso paladar, os nossos ouvidos possam desfrutar de tal experiência. Que vire o fruto de um grande sucesso!

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